Hemofílicos contaminados se unem para processar laboratórios

SÃO PAULO – Todos os hemofílicos de São Paulo que contraíram os vírus da aids (HIV) e da hepatite C (HCV), entre 1974 e 1990, em transfusões com fatores coagulantes 08 e 09 produzidos pelos laboratórios Bayer Corporation, Cutter Biological, Baxter Halthcare Corporation, Armour Pharmaceutical Company Inc, entre outros, estão sendo convocados pelo Núcleo de Atendimento Jurídico aos Hemofílicos para duas reuniões na capital paulista, nos dias 12 e 13 de julho, na qual serão esclarecidos seus direitos visando à indenização moral e material.

Calcula-se que mais de 10 mil hemofílicos brasileiros tratados pelo Sistema Único de Saúde foram contaminados pelas substâncias produzidas por estes laboratórios, que já respondem a um grande processo nos Estados Unidos pelo mesmo motivo.

Nas reuniões, o advogado especializado em responsabilidade civil, professor de Direito e procurador do Estado do Rio de Janeiro, Leonardo Amarante, explicará quais são os direitos das vítimas, a fim de que elas possam ingressar numa ação coletiva contra os reús, nos EUA.

As vítimas brasileiras poderão ingressar na mesma causa que as americanas. A mobilização visando a uma reparação contra os laboratórios está ocorrendo em vários países que receberam os hemoderivados contaminados. No Brasil, a causa está sendo liderada pelo livreiro carioca Luiz de Souza e Silva, hemofílico que contraiu o vírus da hepatite C via ingestão de fator 08 e que preside o Núcleo de Atendimento Jurídico aos Hemofílicos.

Segundo os advogados americanos, nos Estados Unidos cerca de 10 mil hemofílicos contaminados entraram com processos a partir de 1993 e receberam indenizações individuais em torno de US$ 100 mil (cerca de R$ 300 mil). Os laboratórios começaram a vender os fatores contaminados em 1980, e pagavam para coletar sangue dos doadores de forma não selecionada.

Em 1984, a Food and Drug Administration (FDA), órgão regulatório americano para o setor de medicamentos, comprovou que os fatores 08 e 09 poderiam transmitir os vírus da Aids e da Hepatite C, entre outros, determinando a retirada de todos esses hemoderivados do mercado.

De acordo com os advogados, como esses produtos ficaram encalhados, os laboratórios, mesmo cientes dos riscos de contaminação, decidiram destiná-los a países do Terceiro Mundo, entre os quais o Brasil.

As reuniões serão realizadas no Hotel Crowne Plaza, que fica na Rua Frei Caneca, 1.360, a partir das 17h.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *